Eu odiava ler até descobrir isso!

Quando começamos a ler é uma festa. A “tia” leva a gente pra biblioteca, escolhemos um livro que mais gostamos e levamos pra casa. O meu favorito quando pequena era “Lúcia Já Vou Indo”, da Maria Heloisa Penteado. Eu lia, lia e todas as vezes me impressionava sobre como as pessoas achavam a Lúcia lenta. Era meio que uma questão de representatividade: sempre fui a prima mais quieta e calminha da família.

Ao longo dos anos fui lendo revistinhas em quadrinhos (majoritariamente Maurício de Sousa) e livrinhos que pegava na biblioteca da escola onde estudava. Já aos 12 anos comecei a me interessar por suspense e terror, quando caí nas mãos da Agatha Christie. Só que de repente, parei de ler!!!

Quando mudei de escola, aos 13 anos, me apresentaram (compulsoriamente) “O guarani”. Foi então, meus amigos, que o desastre e a aversão pela leitura se consolidaram. Eu demorava MESES para terminar um livro pequeno. Me questionava onde estava aquela garotinha de 6 anos que aprendera a ler com a Turma da Mônica, muitas vezes negligenciando a rotina para ficar entre as páginas de um gibizão (ô época boa).

  • 14 anos: Prova discursiva sobre Machado de Assis e sua estrela “Dom Casmurro”

  • 15 anos: Simulado sobre “A hora da estrela” de Clarice Lispector

Os anos se passavam e eu me distanciava cada vez mais, tentando acertar questões baseadas em nenhum livro que havia lido naquele ano. Ler os clássicos se tornou um martírio. Me lembro de ter acabado “Senhora” de José de Alencar e ter comemorado, como se tivesse ganhado um presente muito especial.

O diálogo entre livro e leitor

Anos mais se passaram e me vi cursando (ironicamente – ou não) Biblioteconomia. Para quem não sabe, Biblioteconomia é um curso que te capacita para administrar unidades de informação. O que são unidades de informação? Todo e qualquer lugar onde há um grande volume de informação, ou seja, bibliotecas, bancos de dados, sites e diversos outros lugares pode ser considerado uma unidade de informação.

Foi nesse curso que descobri que o sentimento de inadequação por não conseguir dar continuidade a diversos livros durante a vida não era tanto minha culpa quanto eu pensava. A razão pela qual eu odiava os clássicos, não suportava mais ler após os 13 anos era: a falta de diálogo entre o livro e o leitor. Ou mais explicitamente: eu não conseguia “conversar” com os clássicos.

Eu sei que essa conversa de diálogo entre o livro e o leitor pode parecer “de humanas” demais pra você, mas vou falar de aspectos bem práticos. Você por acaso já tentou explicar para sua avó com o que você trabalha? Já reparou que muitas vezes você quer incluir seus avós no seu cotidiano mas há nomes que eles não conhecem, tecnologias que eles não utilizam e isso dificulta – e MUITO – a comunicação entre vocês? Pois veja bem!  Em contrapartida, você deve conhecer alguém que entende muito de algum assunto tanto quanto você e ambos ficaram horas conversando, parecendo amigos de infância. Aí podemos dizer que houve um diálogo. Esta comunicação horrorosa que acontece entre você e seus avós – que te deixa frustrado e faz você, um programador, falar com sua avó “trabalho com internet, vó” – deveria acontecer entre você e um livro (ou qualquer outro material escrito).

Agora que eu já consegui tirar da sua cabeça que dialogar é só coisa de humanas, vamos ao que interessa.

Para que um diálogo aconteça, existem alguns fatores essenciais que devem ser observados. São muitos, mas na minha opinião, estes são os mais importantes:

Vocabulário

Se o texto usa expressões que você não conhece já é um grande começo para que você tome raiva do livro ou material. Não adianta! A gente desiste á medida em que as dificuldades ficam mais frequentes. Se em uma frase com 10 palavras, você tem que procurar o significado de 5, a chance de você desistir de continuar é quase certa.

Foi isso que aconteceu comigo quando comecei a ler Agatha Christie. Eu tinha saído dos gibis para um suspense policial. Não havia passado por exemplo, pela Coleção Vagalume, que é uma série de livros indicados para crianças e pré-adolescentes. Imagine que você quer ler um livro muito esperado, tipo os livros de Game of Thrones, mas só sai a edição em TURCO. Fala a verdade. Há chances reais de você conseguir ler estes livros? Talvez você nem tente. Talvez você tente e se canse no primeiro capítulo. Isso acontece muito.

Muitas vezes, a escola não tem o hábito de separar um tempo na semana para que os alunos possam ir à biblioteca pegar livros, não há um plano de leitura para que os alunos possam desenvolver essa habilidade. Assim, eles costumam parar de ler em certa idade e só voltar a ler quando é uma necessidade do mercado, para fazer uma faculdade, ou uma especialização. Como não houve essa transição do nível de capacidade de leitura, muitos desistem dos cursos, por não conseguirem acompanhar os materiais para leitura.

Gênero

Se você gosta de exatas, já tentou ler romances e não conseguiu progredir, não insista. Tem gente que gosta de ler comédia, já outros preferem os suspenses. Eu, por exemplo, não sou grande fã de poesia. Não posso sequer dizer qual o último livro de poesia que li (deve ter sido obrigatório na faculdade de letras pra vocês terem uma ideia). Há muitos gêneros literários e você pode gostar um pouquinho de cada um, mas não se obrigue. Não diga que não é um bom leitor porque não gosta de ficção e só fica lendo livros de desenvolvimento pessoal. Ler é ler, uai! É interessante intercalar leituras diferentes para que você colecione aprendizados, mas não é uma obrigação. Ler não deve ser algo pesado, obrigatório…principalmente as leituras no seu tempo de lazer.

Estilo

Segundo o Wikipedia, estilo literário é a forma particular, extra-formal do escritor usar da linguagem escrita para compor suas obras. O que isso quer dizer? Eu explico estilo literário como o conjunto de características que fazem com que o texto seja reconhecido como sendo parte de algum grupo. Há estilos literários que prezam pela forma do texto, onde as palavras tem que combinar e são pensadas milimetricamente. Há estilos onde o que nos salta aos olhos é a emoção e os sentimentos, fazendo parecer que o texto é só uma ferramenta por onde você toca o coração do autor.

Se o estilo literário não te agrada, não insista. Existem pessoas que amam ficar 5 páginas lendo sobre o ambiente onde estão os personagens. Eu não! Eu gosto que o autor descreva os ambientes, mas existem estilos literários onde isso é feito com muito exagero. Isso cansa, gente! Tenha santa paciência! Por isso eu não tinha a mínima paciência com alguns clássicos brasileiros. Em tempo, os estilos literários costumam refletir uma realidade da época dos países. Portanto, é normal que nós que estamos em 2019, não tenhamos “saco” para ler romances de 1749. Há quem goste e isso também não é problema algum.

Concluindo o raciocínio sobre estilo: não queira insistir em ler estilos que você sabe que não gosta. Se você é uma pessoa fantasiosa e quer ler um capítulo inteiro sobre o autor descrevendo as paredes da sala de estar, ótimo! Você achou sua tribo! Entretanto, se você é prático e gosta de focar mais na história do que na “fotografia” dela, opte por autores mais sucintos, que descrevam mais os acontecimentos do que os ambientes.

Contexto

Se você acabou de terminar um namoro e está sofrendo pra caramba, todo desacreditado no amor, achando que nunca mais vai achar o(a) companheiro(a) dos seus sonhos, duvido que você queira ler algum romance bem meloso. Em compensação, se você está abrindo um negócio e quer aprender o máximo possível de administração, não vai querer perder seu tempo lendo sobre física quântica. O contexto é importante. É muito comum que algum livro nos ajude em uma situação pessoal quando temos o material certo no momento certo. Só que acontece muito de termos os materiais errados nos momentos errados, o que acaba tomando nosso tempo. Imagine se, quando você estava prestes a tentar vestibular, ao invés de estudar por materiais direcionados para as provas, você estudasse por livros de física de uma visão espiritualista? Isso seria uma catástrofe!

Conclusão

E qual a conclusão deste raciocínio enorme e aparentemente sem sentido? O objetivo deste texto é fazer você entender que se você não tem o hábito de ler, muito provavelmente não é sua culpa e, mais importante, isso pode ser corrigido a qualquer momento.

Para voltar a ler como você fazia na infância, tenha em mente alguns fatores:

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