Correntes de internet e humanos de laboratório

Raissa falando aqui!

Hoje vim uns pensamentos polêmicos, que vão te fazer pensar, ou te fazer pensar que eu estou apenas nos meus devaneios, sem o que fazer mesmo.

Quem nunca teve que lidar com a situação de alguem contando a mesma situação diversas vezes. A menos que essa pessoa seja mais idosa ou que tenha sofrido perda de memória, não é comum que alguém se esqueça que contou a mesma história nas últimas 5 vezes que te viu, não é mesmo?

Para quem escuta a história é pior ainda. Acabamos fazendo aquela cara de paisagem, esperando a pessoa acabar de contar a história para fazermos um comentário mais ou menos só para passarmos logo por aquele pequeno constrangimento.

Se as pessoas apenas se esquecessem das informações, tudo bem. Não é usual, mas não chega a ser chato, como quando alguém vem te contar uma fofoca, ou falar de algum assunto que você não tem o mínimo interesse. Quando isso fica recorrente então, nem se fala. Você acaba achando a companhia da pessoa chata, quando na verdade, ela só está ali, despretensiosamente, se comunicando.

O mundo online trouxe a facilidade da comunicação e distorceu a maneira como enxergamos o outro. Falo isso porque há comportamentos que são fáceis demais de serem executados, mas que causam transtorno e aborrecimento nos outros, como é o caso das correntes.

Correntes são mensagens repassadas para um certo número de pessoas, como por exemplo:

“A flor mais bela deste jardim é bela como uma rosa. Repasse isso para as 5 rosas do seu jardim. Se você receber de volta é porque é uma rosa também!”

É importante falar que eu entendo a intenção das pessoas que enviam. Muitas delas enviam como um jogo, uma pequena brincadeira onde você, no fundo, só quer demonstrar seu carinho para a pessoa que vai receber a corrente. Mas para pra pensar um pouquinho: imagina se TODO MUNDO resolver repassar as correntes que recebe.

Fazendo uma conta básica, se você mandar a corrente pra 5 pessoas e elas pra mais 5 e essas enviarem pra mais 5, serão tantas pessoas recebendo a corrente da rosa que meus conhecimentos em matemática não me permitiram calcular (mas sei que dá mais de 130).Agora pense nessas pessoas repassando e recebendo a corrente da rosa duas vezes na semana. Eu aposto com você que se as pessoas repassassem as correntes de maneira fiel, dentro de 2 semanas você deletaria seu Whatsapp ou Telegram.

Além do incômodo sobre a quantidade de mensagens recebidas e enviadas, vamos levantar outro ponto que é: por mais que a corrente da rosa seja uma brincadeira pra você, pode ser que alguém se ache realmente especial por ter recebido sua mensagem. E então você envia a corrente da rosa para sua mãe, mas também pra sua colega de ônibus, com quem não troca mais do que 3 palavras. E aí eu te pergunto: você realmente quer mandar a mesma mensagem e ressaltar que a colega do ônibus é tão importante como a sua mãe ou você só está brincando e no meio dessa brincadeira, você diz para as pessoas que elas são especiais, sem nem pensar nas consequências, ou se aquilo que você está dizendo é verdade?

 O que quero dizer é: você tem distribuído palavras vazias pela internet só porque lá é mais fácil compartilhar mensagens? Você costuma fazer isso na vida real? Fala “Eu te amo”, “Você é a rosa mais linda do meu jardim” ao vivo com as pessoas com quem convive?

O quero trazer aqui, com toda essa viagem da minha cabeça é:  por que você se comporta com perfis diferentes na vida real e na virtual? Isso me faz pensar na nossa fase de infância, quando apertamos botões de maneira descontrolada, só porque eles estão ali para serem apertados. Qual a diferença entre apertar um botão de enviar na internet, sem pararmos pra pensar a respeito e comer algo só porque está na mesa? Será que a internet está nos imbecilizando e trazendo à tona todo nosso lado animal, fazendo com que nos comportemos como ratos de laboratório, onde apertamos botões para ver o que acontece? Sem nenhuma observação, sem nenhum raciocínio?

Todo esse questionamento pode parecer fútil, mas não acho. Acho que temos que estar mais conscientes e alertas ao usarmos a internet e as redes socias, principalmente. As redes sociais e os smartphones são projetados para passarmos cada vez mais tempo neles (mas isso é um assunto para outro texto) e devemos tomar cuidado. Não quer dizer que devemos excluir todas as nossas redes ou nos isolarmos em uma ilha com um livro, um canivete e um isqueiro. Porém, precisamos sim repensar a maneira como nos deixamos consumir pelas ferramentas digitais, que nunca param e sempre procuram formas de prender nossa atenção, por cada vez mais tempo.

Essa é a reflexão de hoje, enquanto chove na janela do escritório. Não tão hipocritamente, estou escrevendo no notebook, aproveitando a maravilhosidade de ter um site para me comunicar com as pessoas. Apesar disto, reflitam, meus amigos. Nós é que temos de usar as ferramentas digitais, não o contrário.

Um beijo semi-tecnológico!

Raissa

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