Fake News: o que são, que risco oferecem e como identificá-las.

O QUE SÃO AS FAMOSAS FAKE NEWS?

Fake News são notícias falsas. Ponto! É só isso mesmo. Agora, POR QUE elas podem ser notícias falsas quais tipos de fakw news existem, isso eu explico.

COMO SURGEM AS FAKE NEWS

Ainda há estudos em andamento sobre como surgem as fake news, mas hoje, podemos afirmar que elas se originam basicamente de três grandes grupos de pessoas:
  • Partidos políticos e grupos ativistas – que divulgam notícias falsas com o intuito de prejudicar seus opositores, sejam eles politicos, empresários ou participantes de grupos ativistas
  • Imprensa marrom – Veículos de comunicação que vendem caos e sensacionalismo a qualquer custo, ainda que esse custo seja a produção de falsas informações, com o único intuito de vender
  • Distorção popular – o famoso “telefone sem fio”, que faz com que uma notícia simples, se torne uma mentira absurda, ao passar de boca em boca

ESTRUTURA DE UMA NOTÍCIA FALSA

Trazer informações CENTRAIS falsas

Informações centrais são informações que funcionam como o objetivo da notícia. A notícia tem como objetivo informar alguém sobre ALGO. Esse algo é a informação central. Portanto, se eu quero escrever uma notícia sobre um ministro que afirma que o país não está sofrendo nenhuma crise, eu quero informar às pessoas que o ministro não acredita que o país está em crise. Simples, não? Entretanto, se o ministro acredita que o país está em crise e a notícia afirma que não, a informação central é falsa.

Trazer informações descontextualizadas, tornando-as falsas

Notícia completa: “Ator da Record fala que não quer que sua filha se case com um homem que não a trate como uma rainha”
Fragmento de notícia: “Ator da Record fala que não quer que sua filha se case”
Onde é comum ver isso?
Sites de notícias e fofocas, principalmente, mas pode aparecer em qualquer lugar. Em geral é escolhida uma frase, que pareça absurda, para que a pessoa tenha curiosidade de clicar o link. Isso, no marketing digital, é chamado de clickbait. Isso é um problema, ainda mais porque FUNCIONA!
É muito comum que as pessoas compartilhem os links sem entrarem nas páginas, o que faz com que elas divulguem uma notícia com a qual sequer concordam.
Há ainda aqueles que veem esse tipo de notícia e tiram conclusões precipitadas, já que o título não reflete a realidade, sendo apenas uma isca.
No exemplo acima, uma conclusão que pode ser tirada pelo leitor, de maneira equivocada, é que o ator da record não quer que sua filha se case. Muito possivelmente, esse leitor poderia compartilhar a notícia em sua rede social dando uma opinião, como: “Esse ator é ridículo e egoísta, querendo a filha solteira pra sempre”.

Trazer informações verdadeiras, mas ultrapassadas

Noticias velhas estão no hall da fama das fake news e isso acontece porque as pessoas não se dão ao trabalho de entrar na matéria e ler o texto e os detalhes por completo. Com isso, muita notícia antiga é compartilhada.
Além do mais, a data não é algo de destaque quando falamos na estrutura visual da notícia online, o que faz com que seja ainda mais difícil perceber esse detalhe ao lermos esse tipo de informação.
Exemplo: “ANVISA diz que vai recolher lotes de frango no país por contaminação”
Imagine o seguinte cenário: João, dono de um açougue, leu a notícia que afirma que a ANVISA recolher lotes de frangos por contaminação. João não viu a data da notícia e, por ser uma notícia, pensou que era uma informação atual.
No desespero e medo de ficar no prejuízo, João postou a informação no grupo de açougueiros e compradores de carne no atacado. Como o grupo é confiável, José, Carlos, Benício e todos os outros 75 participantes do grupo fizeram uma liquidação, vendo o frango a preço de custo.
Os moradores da cidade de João comentaram com açougueiros de outras cidades sobre o acontecido e eles também decidiram liquidar o estoque de frango em seus respectivos açougues, e assim foi acontecendo até acontecer no estado todo.
MAS NINGUÉM VIU QUE A NOTÍCIA ERA DE DOIS ANOS ATRÁS! E uma notícia com data ultrapassada, causou prejuízo na classe açougueira de um estado inteiro.
Tá bom, eu já entendi que fake news é perigoso e que eu tenho que evitar sair compartilhando notícia falsa por aí, mas como fazer isso? Como saber se uma notícia é falsa ou verdadeira?
Calma, pequeno gafanhoto! Eu tô aqui pra te ajudar a ter autonomia ao analisar notícias, pra não sair fazendo caca por aí!

COMO EVITAR CAIR NAS TÃO TEMIDAS FAKE NEWS?

Atenção plena, contando 1, 2, 3…

Treine seu cérebro para INVESTIGAR um acontecimento antes de compartilhar a notícia. As fake news se apoiam nesse impulso que temos de querer compartilhar as informações com urgência. Funciona quase como uma disputa de quem vai mostrar a notícia primeiro. Quando evitamos a REAÇÃO, controlamos a AÇÃO. Você não está numa corrida onde ganha o prêmio quem compartilhar uma notícia primeiro. É melhor que você compartilhe uma notícia por dia, mas que seja VERDADEIRA, do que sair enviando dez notícias falsas por aí.

Se houve dúvida, NÃO COMPARTILHE

Outro dia eu ouvi uma frase de uma advogada que falava sobre regras de um regulamento. Ela disse o seguinte: “se ficou em dúvida sobre o que você vai fazer, é porque provavelmente você não deveria fazer isso”. Pensando sobre esse texto, vi que essa mesma regra serve para analisar se devemos ou não compartilhar uma notícia.
Há notícias que são óbvias, como quando o presidente do Banco Central dá uma entrevista e você o vê/ouve falando sobre como a taxa de juros vai subir nos próximos meses. É o tipo de notícia que não tem como ter dúvida. Ele é uma autoridade competente para afirmar a informação de que a taxa de juros vai subir. Além disso, você VIU ele falando. Mais verdadeiro do que isso, só se ele te falasse isso tomando um café na sua casa.
Mas há notícias (e eu arrisco dizer que é a maioria delas), que não são tão confiáveis e não podemos afirmar sua veracidade. Para estas, a regra é “NÃO COMPARTILHE” e volte à regra número 1, que é: INVESTIGUE!

Procure pela fonte primária

Fonte primária é o que originou a informação. Se você lê no grupo do Whatsapp da sua família que a Polícia Militar mandou todo mundo ficar em casa no dia 24 de dezembro, investigue. A notícia por si só parece absurda, mas caso você tenha dúvidas, vá à fonte primária, ou seja, procure saber diretamente da Polícia Militar se aquela notícia é verdade. E como fazer isso? Procure na internet pelo site da Polícia Militar e veja se eles incluíram algum aviso no site. Ligue para a central de atendimento da Polícia e pergunte. Quando você espalha uma notícia falsa, você é responsável pela atitude das pessoas para quem espalhou a notícia, portanto, cuidado!

Verifique as informações acessórias à noticia

Eu chamo de informações acessórias aquelas informações que ajudam a descobrir sobre a credibilidade da informação, mesmo não sendo o principal objeto de veiculação ali. Informações que podem ser consideradas como acessórias são: “quem escreveu?”, “quem divulgou?”, “quando foi divulgado?”.

Quem escreveu?

A notícia foi escrita por um jornalista com grande credibilidade? Pelo estagiário do jornal? Foi passada pelo seu tio no Zap? Confie em pessoas que já tenham reputação, autoridade sobre o assunto. Se uma notícia é divulgada por um jornalista do quadro de um grande veículo de comunicação (quando digo grande, não falo sobre tamanho, mas de credibilidade), possivelmente é uma informação confiável.
Agora…se uma notícia é compartilhada pelo seu tio no Zap, fica difícil de engolir né? Ou então, se veio de um canal de algum Youtuber, que tem muitos inscritos, mas não cita fontes, não coloca links para que você mesmo possa verificar a notícia, não confie.

Quem divulgou?

Essa aqui é parecida com o tópico anterior. Quem divulgou, tem credibilidade no assunto? É um veículo confiável? Não confunda autoridade no assunto com autoridade de uma forma geral. O Presidente da Republica, por exemplo, detém muita autoridade, mas não devemos confiar em tudo que ele fala, faz sentido? Da mesma forma um jornalista esportivo, que é famoso, aparece na TV de maneira recorrente, mas pode ser um grande falador de baboseira sobre política. Se informe através de mídias que forneçam informação VERIFICÁVEL. Se um produtor de conteúdo que você gosta e segue divulga uma notícia, ainda que você confie nele para uma série de questões, INVESTIGUE.

Quando foi divulgado?

Já falamos no exemplo acima sobre o perigo de uma notícia com data antiga e o caos que pode causar né? Essa informação acessória é essencial para evitar que a notícia cause prejuízos, dos mais diversos tipos.
Se a notícia não tem data, CAI FORA! Esconder a data de uma notícia é um ato de má fé, na minha visão, inclusive.

TRAGÉDIA E FAKE NEWS

Apesar dos exemplos que citei acima, pode ser que você tenha pensado: “Que isso, que exagero, é só uma mensagem que eu compartilho.”

Para quem ainda está pensando assim, deixo aqui duas notícias, de acontecimentos diferentes, mas que mostram o REAL perigo do porquê precisamos falar e começar a agir sobre esse tema urgente:

Mulher morre após receber boato de ataque em escola de filho

https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2019/07/03/mulher-morre-apos-receber-boato-de-ataque-em-escola-de-filho-no-es.ghtml

Mulher espancada após boatos

http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2014/05/mulher-espancada-apos-boatos-em-rede-social-morre-em-guaruja-sp.html

CONCLUSÃO

A internet chegou rápido e inundou nossa cabeça de informação, de modo que mal conseguimos reagir. Como toda ferramenta, precisamos aprender a usá-la. Antes, quando a informação era escassa, os danos aconteciam, mas em menor frequência e quantidade. Aprender a lidar com a informação não é apenas um plus, um “nice to have”, como costuma-se falar em entrevistas de empregos.

Aprender a lidar com a informação é cuidar da sua relação com o mundo, da sociedade. É cuidar para que o próximo atingido por uma notícia falsa não seja você. Saber o que é, como funciona e como evitar é papel essencial de todos que usam a informação, em especial no ambiente digital.

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